Sábado. Agosto. Santa Tereza. Rio.
Já é sabido que esse cantinho do Rio é um achado. Eu só não tinha achado ainda que, naquele dia, teríamos nossa esperança no ser humano aumentada.
O bloco passava pelas ruas do bairro e a diversidade ia atrás; gente da zona Sul, da Zona Norte, gringos e amigos da Elis; poucos instrumentos, pouca melodia mas o suficiente para estimular fotografias.
O bloco passa e entramos no Bar do Mineiro. Um feijão amigo aqui, uma cerveja ali, papo vai , papo vem; se discute carreira profissional, 3 ações para a sustentabilidade do país e algumas coisas mais. Em um dado momento, porém, nossas atenções são requisitadas por duas crianças. Pés nus, roupas surradas mas um sorriso aconchegante no rosto. Uma vende bala. A outra, amendoim. Opta-se pela bala. Com uma nota de R$2,00 é possível comprar duas drops.
A criança pede que compre apenas uma; e que, com o troco, compre um amendoim. Após relutarmos, ela vence (sorrisos de crianças tem um poder!!! Quero aprender a rir como elas!!!) e nossa atenção se volta para a outra criança.
Como ninguém queria a "iguaria", apenas foi lhe dado o dinheiro. Porém, a esperta criança das balas interviu!
- Não! Você não pegou o amendoim!
- Sim, peguei!
- Não pegou não! Devolve o dinheiro irmã!
Não precisava... era pelo bate papo, pela descontração, pelo olhar... valiam mais que R$1,00. Mas não tinha quem fizesse o menino mudar de opinião. Vencidos por sua determinação, saímos do estabelecimento com a bala e o amendoim.
Na verdade, mais que isso. Saímos com a sensação de que cada criança que nasce, trás o recadinho subliminar de que Deus ainda acredita na gente. E que valores , raízes e asas , esses sim, são distribuídos democraticamente.
Aconteceu ! E foi aqui no Rio ...
segunda-feira, agosto 27, 2007
Aconteceu! E foi no Rio...
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Anaclara
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8:25 PM
quinta-feira, agosto 16, 2007
Mexendo....testando...tentando...
Resolvi brincar com meu blog.
Fazer novas tentativas de formatação, novos textos, novos recursos...
... mas antigas propostas.
É... ainda não proponho assiduidade e regularidade. Até mesmo mais profundidade é difícil de prometer ! Só prometo continuar aprendendo...mexendo...tentando...testando...
... ainda menos que no mundo real...
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Anaclara
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9:01 PM
terça-feira, agosto 14, 2007
Das Utopias
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!
Mario Quintana
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Anaclara
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12:04 AM
domingo, agosto 12, 2007
Questionando Vinícius de Moraes ? Quanta pretensão !
Estaria Vinícius com razão ? Acredito que em partes.
Não tenho a intensão de fazer um discurso feminista ou "solteirista" até porque é bom ( e não é pouco não!) ter alguém para andar de mãos dadas, ficar entrelaçando os pés debaixo do cobertor, pedir e dar opinião, fazer e receber cafuné e dar aqueles beijos onde todo o resto fica irrelevante.
Só acho que, se esse é um estado de real vontade da pessoa, uma escolha do momento ( e não uma falta desta), acho possível sim.
Acredito, pra não dizer que vejo, que há muita gente por aí com namorado (a), ficante, noivo (a), esposo (a) que está tão ou mais sozinha que os sozinhos por escolha. Já passaram da excitação inicial. " Todos os dias são iguais e todos os abraços são banais ".
E algo me diz que isso é estar um pouquinho distante da felicidade. Ainda que felicidade seja um conceito tão particular.
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Anaclara
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5:28 PM
sexta-feira, agosto 03, 2007
Lembranças mal lembradas
Depois de ler A Alma Imoral, resolvi ler crônicas . Escolhi Martha Medeiros por já ter lido algumas coisas dela no jornal o Globo e porque encontrei na prateleira de minha irmã! rs...
Questionada se eu estava gostando, respondi que alguns textos pareciam escritos por mim, outros para mim e ainda existiam os que poderiam ter sido escritos por qq um, menos eu ! Esses últimos não serão mais comentados, mas os outros dois tipos... :P
Esse aqui me fez pensar bastante. Acho que , de fato, damos uma dimensão tão distorcida e maximizada das coisas que qdo fazemos o simples exercício de tentar achar a essência dos fatos, não achamos. Simplesmente porque eram pequenos demais...
"A maioria dos nossos tormentos não vem de fora, está alojada na nossa mente, cravada na nossa memória. Nossa sanidade (ou insanidade) se deve basicamente à maneira como nossas lembranças são assimiladas. "As pessoas procuram tratamento psicanalítico porque o modo como estão lembrando não as libera para esquecer". Frase do psicanalista Adam Phillips, publicada no livro "O flerte". Como é que não pensamos nisso antes? O que nos impede de ir em frente é uma lembrança mal lembrada que nos acorrenta no passado, estanca o tempo, não permite avanço. A gente implora a Deus para que nos ajude a esquecer um amor, uma experiência ruim, uma frase que nos feriu, quando na verdade não é esquecer que precisamos: é lembrar corretamente. Aí, sim: lembrando como se deve, a ânsia por esquecimento poderá até ser dispensada, não precisaremos esquecer de mais nada. E, não precisando, vai ver até esqueceremos. Ah, se tudo fosse assim tão simples. De qualquer maneira, já é um alento entender as razões que nos deixam tão obcecados, tristes, inquietos. São as tais lembranças mal lembradas. Você fez 5 anos, sonhava ganhar a primeira bicicleta, seu pai foi viajar e esqueceu. Uma amiga íntima, que conhecia todos os seus segredos, roubou seu namorado. Sua mãe é fria, distante, e percebe-se que ela prefere disparadamente sua irmã mais nova. E aquele amor? Quanta mágoa, quanta decepção, quanto tempo investido à toa, e você não esquece - passaram-se anos e você, droga, não esquece. Essas situações viram lembranças, e essas lembranças vão se infiltrando e ganhando forma, força e tamanho, e daqui a pouco nem sabemos mais se elas seguem condizentes com o fato ocorrido ou se evoluíram para algo completamente alheio à realidade. Nossa percepção nunca é 100% confiável. O menino de 5 anos superdimensionou uma ausência que foi emergencial, não proposital. Você nem gostava tanto assim daquele namorado que sua amiga surrupiou (aliás, eles estão casados até hoje, não foi um capricho dela). Sua mãe tratava as filhas de modo diferenciado porque cada filho é de um modo, cada um exige uma demanda de carinho e atenção diferente, o dia que você tiver filhos vai entender que isso não é desamor. E aquele cara perturba seu sono até hoje porque você segue idealizando o sujeito, recusa-se a acreditar que o amor vem e passa. Tudo parecia tão perfeito, ele era o tal príncipe do cavalo branco sem tirar nem pôr. Ajuste o foco: o coitado foi apenas o ser humano que cruzou sua vida quando você estava num momento de carência extrema. Libere-o desta fatura. São exemplos simplistas e inventados, não sou do ramo. Mas Adam Philips é, e me parece que ele tem razão. Nossas lembranças do passado precisam de eixo, correção de rota, dimensão exata, avaliação fria - pena que nada disso seja fácil. Costumamos lembrar com fúria, saudade, vergonha, lembramos com gosto pelo épico e pelo exagero. Sorte de quem lembra direito. " Martha Medeiros
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Anaclara
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8:04 PM
terça-feira, julho 24, 2007
Muito mais perto de mim do que eu pensava ...
Todos sabem o que aconteceu. Todos lamentam o que aconteceu.
Hoje faz uma semana e a única decisão tomada foi a de parar as vendas de bilhetes aéreos para vôos com destino ou embarque em Congonhas e anunciar um provável aumento nos mesmos.
Tudo já estava enchendo muito o saco até que me deparo com um email :
Oi Anaclara! Que msg bonita a sua! Obrigado!
Veio num momento pontual... Meu melhor amigo morreu na terça no acidente daTAM.
Estamos com dificuldade de identificar o corpo. Se eu estou muito triste,
imagine a familia...
bjos e bom final de semana para vc.
Fabiano.
Simples. Forte. Bateu. Bateu forte.
Tudo isso está mais perto do que eu pensava. Há vinte e poucos dias, eu pegava um avião que aterrissou por lá; o melhor amigo do Fabiano morreu. E morreu o namorado da prima do André (meu querido amigo Dé) que está lá em Pernambuco e nem por isso indiferente ao ocorrido. Porque morreu o pai da Ana , o filho do João , a amiga da Maria e a esposa do José. Porque morreram centenas de pessoas que tinham outras tantas esperando por elas.
E, dessa vez, não temos o marginal pra acusar, não temos a epidemia pra controlar, não temos o submundo pagando o pato.
Temos apenas a classe média numa loteria. Há vinte dias poderia ter sido eu. Amanhã, pode ser você.
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Anaclara
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7:56 PM
sexta-feira, julho 20, 2007
Preciso confessar ...
... eu simplesmente não entendo a propaganda da Ford que usa um bando de animais fantoches querendo comprar um carro !!! Alguém pode me explicar ???
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Anaclara
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8:46 PM
domingo, julho 15, 2007
Voar, Voar ...Subir , Subir ...
Começando a falar do meu tour na Austrália por uma vontade de um tempão ...
... voar de balão !
É cedo, é quente , é delicioso , é ver canguru correndo na mata aberta, é você ouvir o sotaque caipira de um australiano de Mareeba , é... é.... é isso aí !
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Anaclara
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11:12 PM
segunda-feira, julho 09, 2007
Flip
Mais uma vez peço licença para escrever sobre o que habita em minha mente nesse momento. E isso é fruto dessa última viagem.
Flip. Feira Literária Internacional de Parati. Há dois anos tento participar do evento e não consigo. Se por falta de companhia, grana ou inércia eu, sinceramente, não sei. Agora deu. Consegui comprar, ainda em maio, convites para a mesa 19 - Sobre meninos e Lobos :
"O que une o serra-leonês Ismael Beah – de 26 anos, o caçula da V FLIP – e o carioca Paulo Lins é usar a violência como matéria-prima do trabalho literário. Beah acaba de lançar no Brasil seu primeiro livro, o aclamado Muito longe de casa, em que narra a estarrecedora experiência como menino-soldado, no começo da década passada, durante a guerra civil que devastou seu país. Lins escreveu o marcante Cidade de Deus, publicado há dez anos, um painel da evolução da violência no conjunto habitacional onde cresceu. Reunidos em uma mesa da V FLIP, com mediação do jornalista e escritor Fernando Molica, os dois falaram sobre suas experiências de vida e de literatura."
Se você que lê esse post quiser me dar um presente, aí está uma boa pedida!rs... Simpatizei com o autor. Simples e forte...como naturalmente esperava ser...
Mas outros momentos me marcaram também... a palestrinha do Gabriel, O pensador para as crianças; escritores infantis falando sobre os livros que marcaram suas vidas, o Palavra Cantada ...
Muito bom evento. Recomendo a todos.
Para terminar , uma coisa muito legal que ouvi : para ver um filme vou à Locadora e pego o DVD. Chegando em casa, tenho que me certificar se o aparelho está funcionando. Depois, se o cabo está ligado na TV. Em seguida, pego o controle que, espero, esteja com pilhas. Se o DVD estiver arranhado ou com defeito tenho que pegar o carro e voltar à Locadora. Se já estiver tarde, espero o outro dia, SEM ASSISTIR O FILME, para tentar trocá-lo.
Quero fazer uma ligação ? Compro um celular. Coloco-o para carregar para que possa usá-lo. Carregado, tenho que verificar a existência de sinal. Em havendo, necessito de crédito no mesmo e, só então, posso ligar e, ainda assim, não garanto que vou falar com a outra pessoa.
Porém, haverá um dia em que o homem com toda a sua inteligência inventará o livro ! Não precisará de energia, nem controle ou grandes tecnologias! Bastará abrí-lo e lê-lo. E, se por acaso você perder alguma coisa no meio do caminho, é só voltar algumas páginas e se encontrar novamente... Poderá levá-lo para qualquer canto ! Será "wireless" !
Sim! O homem e tão inteligente !! Um dia ainda inventa o livro !
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Anaclara
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9:49 PM
quarta-feira, junho 27, 2007
Tantas fotos...tantos fatos...
Gente, jah estou nostalgica! Hoje parto para Sydney... meus 'ultimos dias ...meu ultimo destino. Eu, realmente, estou amando esse lugar! A Australia eh linda como o nosso paisl e organizada e segura como o Brasil deveria ser! Tantas fotos e tantos fatos...
Colocarei tudo em ordem e pouco a pouco contarei algumas historias por aqui!
Ateh !
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Anaclara
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4:12 AM
domingo, maio 27, 2007
Fazendo as malas...
Se meu visto chegar, sexta embarco para a Austrália. Mais precisamente, Cairns.
Algumas pessoas que sabem disso têm me perguntado porque lá se é tão longe e tem tantas coisas legais pra conhecer aqui por perto. Outros, sabendo que eu me inscrevi em um curso de inglês , lembram do sotaque bem particular do país e me sugerem o Canadá.
Deixa eu explicar uma coisa : quando tinha 14 anos e todas as meninas de minha idade sonhavam em ir pra Disney, eu sonhava em ir pra Austrália. Em meu coração, A Opera House substituia a Magic Kingdom ,
The Great Barrier Reef a Epcot e os cangurus e koalas tomavam a vez dos fofos Mickey e Minnie.
Devido às condições da época, acabei não indo nem pra um, nem pra outro. Meu destino foi Beto Carreiro Would!
Dez anos depois, me vi tirando férias e tendo que decidir entre descansar ou estudar, viajar ou comprar um carro, fazer tudo ou não fazer nada.
Já de início tinha um primeiro desafio - o tempo. Caso eu decidisse fazer um curso, eu tinha simplesmente quatro dias para ver tudo e escolher destino e escola. Os outros poderiam esperar um pouco mais. Optando por essa primeira possibilidade, várias agências começaram a me desencorajar por esses e outros motivos ( passagem cara, visto, vacina de febre amarela...)
Foi então que nesse exato momento um filme passou por minha cabeça e percebi que poderia ser a minha grande opotunidade de realizar um sonho de infância. Mais do que isso; me convencer, de uma vez por todas, que minha capacidade de realização pode ser maior que a passividade e correria diária que tentam me convencer do conrário. E que, decididamente, sonhos não envelhecem.
Mensurar sonhos ainda não posso. Talvez um dia eu consiga e esses valores serão suficientes para que todas as pessoas entendam algumas de nossas decisões.
Às pessoas que me apoiaram e acharam um máximo, - essas em número infinitamente maior - meu agradecimento e afeto. Voltarei com histórias e fotos . E possivelmente, uma pessoa melhor.
ps.: Não devo postar durante essa jornada... daqui a 45 dias, eu "julho' que volto.
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Anaclara
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7:13 PM
terça-feira, maio 22, 2007
A Alma Imoral
Já postei por aqui sobre minha cidade natal. Agora, me encontro poucos Km´s distantes desta e , só agora, resolvi fazer o reconhecimento desse novo terreno que "escolhi" para passar meus vinte e poucos anos... Resende/ RJ. Há algumas semanas saí a noite pelas ruas do centro velho acompanhada apenas com minha câmera fotográfica . A iluminação da Matriz está (é) linda, a câmera municipal encantadora e a ponte velha preserva, de forma ímpar, lindas teias de aranha em cada uma de suas luminárias vermelhas que, de fato, são muto aconchegantes e acolhedoras. Ontem , caprichosamente, Resende me mostrou mais uma de suas agradáveis facetas; o teatro! Desde o dia 18/05 e até o dia 26/05 acontece o VII Festival de Teatro de Resende onde, por apenas 1 real, você pode assistir uma das dezenas de peças que constam na programação. Quando fiquei sabendo que "A Alma Imoral" estaria no Cine Vitória, na segunda-feira, vi que, de fato, era um evento especial. Para quem não sabe, essa peça foi muito bem aceita pela crítica. Ela começou despretensiosamente no SESC Copacabana e , com seu texto de rara profundidade e ainda assim leve e com pitadas certeiras de humor (em grande parte graças ao talento da atriz ) logo passou para o Teatro Leblon - sempre com lotação máxima. Ela é uma adaptação da atriz Clarice Niskier do livro , de mesmo nome, escrito pelo rabino Nilton Bonder. Confesso que nunca li nada dele mas tenho a impressão que isso mudará em breve! A série de reflexões é quase pagã e pode causar alguma perplexidade, mas autor e atriz conseguem iluminar o delicado equilíbrio entre a moral que nos contém e a imoral que nos impele e nos torna humanos. A peça defende que nossa alma precisa de um espaço escuro onde a luz das suas idéias e transformações lançam a única luz vestindo-nos de sentido. A atriz , após breve conversa com o público, que é convidado a deixar de lado sua análise racional demais mas ao mesmo tempo que não o faça 100% para que não se torne leviano, se despe totalmente. Mais uma confissão : ainda que já precavida de tal acontecimento, fiquei impressionada e não assimilei as primeiras duas ou três frases do monólogo. Mas, estranhamente, me vi confortável e envolvida pelo contexto e logo me voltei aos textos de temáticas polêmicas e inquietantes; traição e tradição, preservação e evolução, corpo e alma... que, pouco a pouco, transformavam conceitos de certo e errado imutáveis ...dando-os flexibilidade e fluidez assustadoras ... Ao final, além de sairmos com nossas idéias borbulhando, ficamos com a impressão de que o teatro precisa de muito pouco para acontecer de forma transformadora e ,que esse pouco , é muito.
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Anaclara
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10:01 PM
domingo, maio 20, 2007
Hoje estou ... Amyr Klink !
“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver” Amyr Klink
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Anaclara
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10:48 PM
terça-feira, maio 08, 2007
Sonhos não envelhecem...
Preciso postar sobre isso mas amanhã tenho uma prova de Francês e...bem...chegou a hora de estudar (C´est la vie ...) ! Volto em breve pra divagar sobre esse sonho que se realizará em poucos dias...
ATÉ LÁ !
Bisos
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Anaclara
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7:43 PM
sábado, maio 05, 2007
Para pensar ....
Esbarrei com Clarice e ela me disse isso aí ...
" Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual defeito sustenta o nosso edifício inteiro." (Clarice Lispector)
... será ?
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Anaclara
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8:28 AM
sexta-feira, abril 27, 2007
De volta ...
Ironicamente volto a postar no meio de uma nova crise de dispepsia funcional. Se ela vier a cada trimestre, meu humor mudará de forma significativa para todo o sempre. Passar uma semana com dor cansa.
Bem, mas prefiro falar de viagens! No último feriado tive a oportunidade de conhecer a Chapada dos Guimarães com sua fascinante Gruta Aloe Jari ( Morada das Almas) , Véu da Noiva, Cidade das Pedras, Ponto Geodésico e hospitalidade ! Há muito tempo não me reencontrava com a natureza. Foi em grande estilo.
As duas fotinhos no orkut falam mais por mim.
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Anaclara
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7:45 PM
sábado, janeiro 20, 2007
DISPEPSIA FUNCIONAL
Mas como nem tudo são flores com a chegada da idade...rs... meu primeiro diagnóstico de doença crônica : DISPEPSIA FUNCIONAL.
Eis o que encontrei sobre...
obs: Sim... tem um monte de palavra com acento "´" no lugar de "^"..mas fiquei com preguiça de alterar...
" Cerca de 20% dos adultos, no mundo ocidental, têm Dispepsia Funcional. A maior parte das pessoas com queixas do estômago, submetidas a endoscopia alta em regime ambulatório, não têm nenhuma alteração endoscópica que justifique as suas queixas, o que sugere a possibilidade de terem Dispepsia Funcional. Na Dispepsia Funcional tal como nas outras doenças funcionais não existe uma alteração estrutural ou bioquímica conhecida. Os peritos reunidos em Roma, em 1990 e novamente em 1999, propuseram para a Dispepsia Funcional a seguinte definição: Dor e/ou desconforto ( sensação subjectiva não dolorosa que se caracteriza por peso epigástrico e/ou saciedade, e/ou enfartamento e/ou náuseas e/ou vómitos e/ou distensão ) persistente ou recorrente localizada na parte superior do abdómen, sem relação com os exercícios físicos, com duração mínima de 4 semanas e com sintomas ocorrendo em pelo menos 25% desse tempo. Como se vê, só muito recentemente, se chamou a atenção para a Dispepsia Funcional. Os médicos de língua inglesa chamam à Dispepsia Funcional, Dispepsia-sem-Úlcera. A designação Dispepsia Funcional utilizada na Europa, pese embora o sentido dúbio da palavra funcional parece ser mais correcto. Também se utiliza a designação de Dispepsia Idiopática para realçar que a causa é desconhecida. O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa atribui à palavra funcional o seguinte sentido médico: "que afecta funções fisiológicas ou psicológicas mas não a estrutura orgânica." "sem causa orgânica perceptível (diz-se de distúrbios funcionais)".
Qual a causa ( ou causas ) da dispepsia funcional?:
A causa (ou causas) da Dispepsia Funcional é desconhecida, mas sabemos que é frequente a partir dos 20 anos de idade, sobretudo no sexo feminino, atingindo mais de 20% da população do mundo ocidental. É uma doença crónica, recorrente. As queixas dispépticas podem ser contínuas mas geralmente são intermitentes e aparecem exclusivamente durante o dia. Durante a noite raramente incomodam. Existe uma crença arreigada, que se encontra ainda em muitos livros, de que há uma relação directa entre factores psicossociais e a dispepsia funcional mas não existem estudos que o confirmem.Embora se encontrem com frequência, factores que induzem o stress, precedendo os sintomas dispépticos, assim como ansiedade e depressão, os estudos efectuados, não têm mostrado diferenças significativas quando se comparam as pessoas com Dispepsia Funcional com a população em geral.
Discute-se se haverá alguma relação entre o Helicobacter pylori e a Dispepsia Funcional. A maior parte dos indivíduos com Dispepsia Funcional têm gastrite crónica causada pelo Helicobacter pylori mas, as queixas geralmente não desaparecem depois de se fazer a erradicação do H. pylori.
(...)
Como se trata a Dispepsia Funcional ?:
O nosso médico pode ajudar-nos muito, explicando-nos a benignidade da doença, assim como o seu carácter crónico, recorrente, intermitente. Poderá pedir a realização de alguns exames: endoscopia alta, análises ao sangue, ecografia para nos mostrar que os exames são todos normais, que não existe nenhuma alteração orgânica. Por vezes o nosso médico não pede qualquer exame sobretudo se formos jovens e os sintomas forem francamente sugestivos do diagnóstico. Quando as queixas são desencadeadas por este ou aquele alimento e, é muito frequente isso acontecer, o nosso médico recomenda-nos que durante algum tempo retiremos esse alimento ou esses alimentos da dieta. O beneficio desta atitude é com frequência temporário e de pouco valor. Sempre que possível, devemos fazer uma alimentação variada. Uma vida calma, com refeições agradáveis, sem grandes quantidades de alimento, ingeridos sem pressa pode ajudar a aliviar os sintomas. O prognóstico da Dispepsia Funcional é muito bom, embora a doença possa ser incomodativa. Se as queixas são muito ligeiras, o nosso médico, muitas vezes, não nos aconselha nenhum medicamento. Por vezes o nosso médico recomenda-nos tomar durante as crises algum medicamento. Como a doença é geralmente crónica, recorrente, é necessário fazer o tratamento quando surgir uma nova crise. A Dispepsia Funcional é desde a primeira reunião de peritos em Roma, em 1990, uma entidade individualizada mas é necessária uma melhor compreensão dos mecanismos psicossociais, das alterações motoras e das anomalias das sensações viscerais para que possa haver um melhor conhecimento desta entidade e consequentes avanços na sua terapêutica. Neste momento depositam-se esperanças em novos fármacos que estão a ser ensaiados. Apesar da sua benignidade, os sintomas da Dispepsia Funcional são com frequência causa de sofrimento, quer pelo seu carácter crónico, quer pela pouca eficácia do tratamento, o que leva por vezes, aquele que sofre, a andar de médico em médico e a recorrer a todas as medicinas alternativas, à procura duma cura que ainda ninguém conhece, ou dum alívio que nem sempre se consegue. Além da má qualidade de vida que os sintomas podem proporcionar a angustia, pode infelizmente aumentar, à medida que vão aparecendo diagnósticos sem qualquer senso ( duodenite, gastrite, gastrite nervosa, ácidos, úlcera nervosa, vesícula preguiçosa... e disparates ainda maiores ) e os exames repetidos em catadupa: as análises ao sangue, as endoscopias, as radiografias, as ecografias que por vezes mostram alterações sem significado clínico, mas que quem sofre sobrevaloriza, porque já desconfia de tudo e de todos. Apesar da sua benignidade, a Dispepsia Funcional pode ter desagradáveis consequências sociais e económicas ( custo dos medicamentos, número de consultas médicas, número de exames, ausência ao trabalho ) que, em parte, o paciente bem avisado e informado do carácter benigno da sua doença poderá evitar ou minimizar. O nosso médico, nesta como noutras circunstâncias, deve ser o nosso orientador."
Postado por
Anaclara
às
8:40 PM



